A prática de esportes na infância

Quais as vantagens e os prejuízos que o esporte pode trazer para as crianças?

A Dra. Lilian Helena Dias diz que a atividade física bem dirigida proporciona inúmeros benefícios desde os primeiros anos de vida.

“A prática do exercício, quando bem orientada, melhora o tônus muscular, modula os quesitos elasticidade-flexibilidade, tão importantes para prolongar a vida articular, e aprimora a função do equilíbrio e do movimento, condicionando, ao final, uma melhor postura”, explica a ortopedista.

Para favorecer o crescimento, porém, o treinamento precisa respeitar as fases de desenvolvimento da criança, levando em consideração a idade. No primeiro ano de vida, indica-se o contato com a água:

“Não é necessário “aprender a nadar”, mas sim manter-se à tona d’água”, explica a ortopedista.

Na segunda fase, que vai de um até os seis anos de idade, a criança aprende a andar, correr, saltar, cair, pegar e arremessar objetos.

Nas piscinas as crianças começam bem cedo, com as primeiras braçadas e pernadas a partir dos quatro anos de idade. A ginástica artística ganha a atenção de meninos e meninas a partir dos cinco anos de idade. Um ano mais tarde, as escolinhas de futebol abrem as portas para crianças da categoria Fut Baby. É a mesma época em que modalidades de luta como caratê e judô começam a ser praticadas.

A opção por um treinamento competitivo, porém, deve ocorrer, em geral, bem mais tarde. A natação e a ginástica artística, quando praticadas competitivamente, sob intenso treinamento, exigem a idade mínima de 10 anos. Já esportes como o voleibol, o basquetebol, o handebol e as corridas curtas e saltos do atletismo devem respeitar o limite inicial de 12 anos. Futebol, futsal, pólo aquático, judô e arremesso de peso devem ser praticados intensamente apenas a partir dos 14 anos. A mesma idade vale para tênis, beisebol, esgrima e demais esportes unilaterais. Lutas, corridas de fundo, ou seja, de longa distância, e halterofilismo são as modalidades que exigem os maiores cuidados, devendo ser praticadas, competitivamente, apenas a partir dos 16 anos.

Quando se opta pelo esporte como competição, os esforços físicos devem ser analisados em relação a três aspectos: o cardiocirculatório, o psíquico e o osteomioarticular.

“Nos esforços osteomioarticulares é que encontramos os maiores prejuízos à prática competitiva em idade precoce indevida. Os músculos submetidos precocemente a trabalhos intensos e indevidos podem se hipertrofiar e mesmo se retrair, levando a compressões no nível dos ossos e a desequilíbrios articulares. Portanto é fundamental o equilíbrio do desenvolvimento da força e da elasticidade sem distúrbio da flexibilidade”, explica Lilian Dias.

A Dra. Lilian é membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica(SBOP), coordenadora da ortopedia do Hospital Pasteur, chefe de serviço de ortopedia e traumatologia do Hospital Federal do Andaraí.